Entrevista: Marcelo Colonna, Coordenador Regional de Arbitragem
Recém-nomeado pela CBJ, o kodansha filiado à FJERJ pela Equipe Rio Judô falou sobre a satisfação, os desafios e as referências para exercer a nova função
* por Diano Albernaz Massarani
Filiado à Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro (FJERJ) há mais de 40 anos, o kodansha 6º Dan Marcelo Colonna possui uma longa e prestigiada trajetória na arbitragem. Em 1997, aos 26 anos, meses após se tornar faixa preta sob os ensinamentos do sensei Ruffoni no Clube Vila da Feira, Colonna já estava realizando o seu primeiro curso de arbitragem. O primeiro de muitos, que o levaram a graduação de Árbitro Internacional FIJ A em 2019. Hoje filiado à Federação pela Equipe Rio Judô, Colonna recebeu mais um reconhecimento: foi nomeado pela Confederação Brasileira de Judô como Coordenador Regional de Arbitragem, encarregado pela Região III, que abrange Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais. Otimista, Colonna falou com o portal do Judô Rio sobre a satisfação, os desafios e as referências para exercer a nova função.
Neste momento de sua trajetória, o que representa ser nomeado Coordenador Regional de Arbitragem?
Muita gente não sabe, mas ser árbitro de Judô exige muita renúncia. São inúmeros fins de semana em que a gente chega cedo e sai tarde de uma competição. São fins de semana que a gente deixa a família, deixa o convívio, deixa as comemorações, as festas, os aniversários de familiares para se empenhar na arbitragem. Por isso, depois de tanto tempo arbitrando, de tantas viagens, de tantas renúncias, é muito gratificante receber o aval da FJERJ, através do presidente Lara e do vice-presidente Jeferson, e o reconhecimento da CBJ para ser o responsável pela arbitragem em 4 Estados. É muito lisonjeador saber que eu tenho essa capacidade, saber que a Confederação me reconhece como um árbitro FIJ A capaz de assumir essa responsabilidade e, principalmente, saber que a Federação deu esse aval.
Como você avalia as ações recentes da Federação para desenvolver a Arbitragem do Judô do Rio de Janeiro?
A Federação vem implementando uma renovação na arbitragem do Rio de Janeiro e penso que a gente realmente precisa disso. Antes, era uma recomendação da Federação Internacional e da Confederação Brasileira que os árbitros fossem mais experientes. No entanto, nos últimos dois ciclos olímpicos, essa mentalidade mudou. Agora, as recomendações são no sentido do investimento para que árbitros mais novos ganhem experiência. Acredito que a Federação entendeu muito bem esta questão e vejo com muito bons olhos a reformulação que vem sendo implantada na arbitragem. Uma demonstração foi a escolha da sensei Bruna Neves para Diretora de Arbitragem, a árbitra mais nova da Federação a alcançar o posto de Árbitra Internacional. Hoje, o Rio de Janeiro tem árbitros mais novos, com uma graduação menor, mas com bastante qualidade, que já estão coordenando área, supervisionando área, para ganhar experiência e promover esta renovação.
Quais você acredita que serão os seus maiores desafios como Coordenador Regional de Arbitragem?
O que eu busco como Coordenador Regional é fomentar a arbitragem nos Estados, é procurar árbitros novos de qualidade. Buscar aquele árbitro que tem qualidade e que, de repente, está esquecido, está desmotivado, está prestes a abandonar o Judô ou está desacreditado da arbitragem por algum motivo. Então, penso que meu grande desafio é identificar esses árbitros de qualidade e tentar contribuir para que eles possam progredir na carreira de arbitragem. Fazer com que eles busquem uma carreira internacional. Esse é meu grande desafio. É justamente fomentar a arbitragem nos Estados para que a gente possa manter o Brasil como um espelho da arbitragem mundial. A arbitragem brasileira é vista lá fora como uma das melhores, se não for a melhor arbitragem em nível mundial hoje em dia, e acho que é muito importante a gente tentar manter essa qualidade.
Considerando sua jornada no Judô Rio, quais mestres são referências que vão servir de modelo para você realizar os seus objetivos como Coordenador Regional de Arbitragem?
Assim como a grande maioria dos árbitros hoje em atividade, tanto no Rio de Janeiro como em âmbito nacional, tenho o sensei Pereira como grande mentor na arbitragem. Foi ele que me buscou, me abraçou, me qualificou, que é a minha grande referência até hoje na arbitragem nacional. O professor Pereira sempre vai ser a minha base, o meu alicerce. Eu também tive o prazer e a chance de ter o professor Jeferson Vieira, que hoje é o vice-presidente da FJERJ, como padrinho de arbitragem. Lá em 1997, quando eu fiz o curso com o professor Pereira, o professor Jeferson estava presente e me apadrinhou na arbitragem. É lógico que a gente escuta muitos árbitros mais experientes, como o professor Chuno Mesquita, aqui do Rio de Janeiro, o professor Minakawa, em São Paulo, que foi o último diretor de arbitragem da Confederação. A gente sempre pega um pouquinho de cada um e eu acho que isso me fez ser hoje o que eu sou.
