Liderança feminina mostra força no Judô Rio
Sensei Anne Campos é nomeada Coordenadora de Kata e se soma às sensei Ana Cristina Moraes, Diretora Adjunta da Comissão Estadual de Graus, e Bruna Neves, Diretora de Arbitragem
* por Diano Albernaz Massarani
A Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro (FJERJ) tem como missão o desenvolvimento do Judô em todas suas dimensões. Mais do que adotar essa missão como norte, a Federação busca ser uma referência no caminho a ser percorrido, e não poupa esforços para a construção de um percurso marcado por valores como respeito, inclusão e equidade. Valores que desembocam no crescimento da participação feminina que cada vez mais tem caracterizado o Judô Rio em diferentes aspectos, o mais recente deles o aumento do número de mulheres ocupando cargos de liderança.
Recém-nomeada Coordenadora de Kata, a sensei Anne Campos se juntou às sensei Ana Cristina Moraes, Diretora Adjunta da Comissão Estadual de Graus, e Bruna Neves, Diretora de Arbitragem, e elevou para três o número de mulheres presentes em cargos de liderança da Federação. Em depoimento, as sensei falaram sobre o contexto do crescimento da participação feminina no Judô Rio em áreas como o processo de outorga de faixas, a arbitragem e as atividades de Kata.
Ana Cristina Moraes – 6º dan, Judô Clube Marinho – Diretora Adjunta da Comissão Estadual de Graus
Ana Cristina Moraes começou sua trajetória no Judô em 1979, ainda criança, aos 4 anos de idade, sob os ensinamentos de seu pai, o sensei Marinho. E seria pelo Judô Clube Marinho, na cidade de Petrópolis, que Ana Cristina Moraes se tornaria faixa preta, em 1996, e conquistaria todas as suas graduações até se tornar kodansha, hoje 6º dan. Há 15 anos integrando a Comissão Estadual de Graus, exerce funções de coordenação desde 2018, tendo em muito contribuído para a organização pedagógica do processo de outorga de faixas no Rio de Janeiro.
O crescimento da participação feminina na Comissão Estadual de Graus começou a partir 2018, com a entrada do sensei Jucinei Costa na presidência da Federação, e vem ganhando ainda mais apoio na atual gestão do sensei Leonardo Lara e do sensei Jeferson Vieira. Hoje, a FJERJ se destaca ao abrir espaço e oferecer oportunidades às mulheres na ocupação de cargos de direção. Essa iniciativa demonstra compromisso real com a equidade, valorizando a competência e fortalecendo a representatividade feminina.
Historicamente, o Judô foi predominantemente um espaço masculino, o que limitou a visibilidade e as oportunidades para as mulheres. No entanto, ao longo dos anos, a presença feminina tem crescido de forma significativa. A visibilidade de grandes judocas mulheres nas competições contribui para a valorização do esporte feminino e incentiva investimentos, apoio institucional e reconhecimento midiático. Isso gera mais oportunidades e mais talentos podem ser desenvolvidos. Portanto, incentivar e ampliar a participação das mulheres em todos os segmentos do Judô, não é apenas uma questão de equidade, mas também de enriquecimento do próprio esporte.
Quando mulheres ocupam espaços no Judô – como atletas, treinadoras, árbitras ou gestoras -, elas se tornam referências importantes para novas gerações. Além disso, promovem valores essenciais como igualdade, respeito e diversidade. Essa representatividade fortalece a confiança de meninas que desejam ingressar no esporte, mostrando que elas também pertencem a esse ambiente e podem alcançar alto desempenho. É por isso que a representatividade feminina no Judô desempenha um papel fundamental na construção de um esporte mais justo, inclusivo e inspirador.
Bruna Neves – 4º dan, Judô Clube Marco Alberto – Diretora de Arbitragem da FJERJ
De menina faixa branca a sensei faixa preta 4º dan, Bruna Neves tem vivido uma trajetória de mais de três décadas representando o Judô Clube Marco Alberto, sob os ensinamentos do fundador da agremiação. Ensinamentos, inclusive, que a motivaram a começar, ainda faixa marrom, uma carreira na arbitragem que, graduação após graduação, culminou com o título de Árbitra Internacional FIJ A, alcançado em 2024. A sensei Bruna Neves é filiada à FJERJ há 25 anos.
O Judô Rio já é reconhecido nacionalmente pela excelência dos resultados conquistados por suas atletas mulheres em competições nacionais e internacionais. Ao contar atualmente com mulheres à frente de áreas estratégicas como a Arbitragem, o Kata e a Comissão de Graus, a FJERJ amplia esse protagonismo, demonstrando que a presença feminina também é valorizada nos espaços de gestão e tomada de decisão.
Mais do que uma questão de representatividade, essa escolha evidencia o reconhecimento da competência técnica e da trajetória profissional dessas mulheres, fortalecendo uma gestão pautada na diversidade e na qualificação. Nesse sentido, a Federação assume uma posição de destaque no cenário do Judô brasileiro ao promover maior participação feminina em cargos de liderança, servindo de referência para outras entidades esportivas.
A respeito da arbitragem, em particular, lembro de que, quando iniciei, éramos poucas, no máximo 2 ou 3 por evento. Atualmente, representamos quase 20% de um total de 86 árbitros ativos no Rio de Janeiro. Acredito que as mulheres estão se sentindo representadas e buscando a carreira de árbitra como uma opção.
Anne Campos – 4º dan, Keiko Fukuda Escola de Judô – Coordenadora de Kata da FJERJ
Em 2008, aos 18 anos, Anne Campos se tornou faixa preta pela Associação Desportiva Fujiyama, onde havia começado a praticar Judô cerca de uma década antes, como pupila do sensei Josildo Carneiro. Filiada à FJERJ há quase 25 anos, atualmente possui o 4º dan e lidera a Keiko Fukuda Escola de Judô, tendo se tornado Coordenadora de Kata da Federação no primeiro semestre de 2026. Pode-se dizer que a relação de Anne Campos com o Kata é tão antiga quanto seu início do Judô, pois se recorda de praticar o Nage-no-kata desde a época Associação Desportiva Fujiyama, passando a desenvolver com mais profundidade as outras formas de Kata a partir do exame para ni-dan.
A FJERJ novamente está se colocando na vanguarda quando falamos sobre a maneira como define os cargos de liderança do Judô Rio. A este respeito, nota-se que há uma preocupação com a qualidade e a competência técnica, independente do sexo. No entanto, romper com o teto de vidro que ao longo de tantos anos separou as mulheres dos cargos de liderança nos faz avançar e incentivar outras mulheres a prosseguir.
Hoje, no cenário nacional, temos algumas mulheres do Judô Rio participando se tornando referência. A começar, destaco a figura da sensei Ana Cristina Moraes, que sempre foi inspiração para todas nós neste cenário. Em seguida, cito as sensei Iris Liers e Esther Almeida, da Keiko Fukuda Escola de Judô, e Fabíola Sampaio, do Judô Comunitário Instituto Reação, como juízas nacionais, além das sensei Gabriela Souza (Keiko Fukuda Escola de Judô) e Aline Braga (Equipe de Judô Aline Braga), que também participam regularmente dos eventos e treinamentos. E assim, a cada atividade que promovemos, percebemos que temos mais mulheres se interessando pela prática dos Kata.
Crédito da imagem de capa: Eduardo
