FJERJ prestigia Carioca Matsuri, evento que conecta tradições culturais brasileiras e japonesas
Festival contou com atividades ministradas por judocas da Associação Nagai e foi prestigiado pelo presidente da Federação, o sensei Leonardo Lara
* por Diano Albernaz Massarani
De 31 de outubro a 2 de novembro, o Riocentro sediou o Carioca Matsuri, festival que conecta tradições culturais brasileiras e japonesas oferecendo ao público uma programação com gastronomia japonesa típica, shows musicais, apresentações de danças e taikô, exibições cinematográficas e artes marciais. Como não poderia deixar de ser, o Judô marcou forte presença no evento, com atividades ministradas pela Associação Nagai que foram prestigiadas in loco pelo presidente da Federação, o sensei Leonardo Lara. Em entrevista, a fundadora da Associação Nagai no Rio de Janeiro e uma das grandes expoentes atuais da integração cultural Brasil – Japão através do Judô, a sensei Silvana Nagai detalhou as atividades realizadas no Riocentro e destacou as contribuições para a comunidade do Judô Rio que nascem da participação da FJERJ em eventos como o Carioca Matsuri.
Primeiramente, poderia detalhar quais foram as atividades de Judô ministradas pela equipe da Associação Nagai no Carioca Matsuri?
A Associação Nagai ofereceu oficinas que apresentaram aos participantes os principais fundamentos do judô, começando pelo Rei-ho (saudação), em suas duas formas: Ritsurei, a saudação em pé, e Zarei, a saudação ajoelhada.
Na parte técnica, trabalhamos os fundamentos do Ukemi (técnicas de amortecimento de quedas), além de movimentos básicos de Tachi-waza (técnicas em pé), com o Osoto-gari, e de Katame-waza (técnicas de domínio no solo), com o Kesa-gatame. Após esse aprendizado, os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar o Randori, colocando em prática as técnicas apresentadas.
Também trabalhamos um princípio muito importante da cultura japonesa: o Omotenashi, que representa a hospitalidade, o cuidado e a atenção em receber bem as pessoas. Nossos alunos foram protagonistas nesse processo, acolhendo os convidados com respeito e atenção, independentemente da idade.
Na parte recreativa, promovemos atividades inspiradas no Undokai, tradicional gincana esportiva japonesa, com brincadeiras e desafios que estimularam a integração, a cooperação e a diversão.
Foi uma experiência de troca e aprendizado, na qual os convidados puderam não apenas conhecer o judô, mas também vivenciar um pouco de sua cultura e de seus valores.
Pelo lado pessoal, o que significou participar desta edição do Carioca Matsuri?
É sempre uma alegria participar de um evento como o Carioca Matsuri, que dialoga tão profundamente com a minha metodologia JAE (Judô Arte Educação), na qual o judô é, ao mesmo tempo, esporte, expressão cultural e ferramenta educacional.
Mas, para mim, esta edição teve um significado ainda mais especial e emocionante. Alunos que participaram de edições anteriores do Rio Matsuri retornaram este ano no Carioca Matsuri em um novo papel: não apenas como praticantes, mas como senseis, compartilhando conhecimentos, ensinando e transmitindo os valores do judô.
Ver essa transformação acontecer é perceber, na prática, a força da educação. Aqueles que um dia aprenderam agora também ensinam, inspiram e se tornam referência para outras pessoas. É isso que acredito ser um dos maiores resultados do nosso trabalho: o judô formando muito mais do que atletas. Formando pessoas, lideranças e cidadãos!
Acredita que a presença do Judô em eventos que aproximam as tradições culturais brasileiras e japonesas pode contribuir para uma maior difusão do Judô no Rio de Janeiro, fazendo com que a prática alcance novos públicos que ainda não conhecem o Judô de forma próxima?
Com certeza! Acredito que esses eventos são oportunidades muito importantes para aproximar o judô de pessoas que talvez nunca tenham tido contato com essa modalidade.
Quando o judô se encontra com as tradições culturais brasileiras e japonesas, criamos novas possibilidades de diálogo, despertamos a curiosidade e estabelecemos conexões afetivas com diferentes públicos.
É também uma oportunidade de mostrar que o judô vai muito além da luta e da competição. Ele carrega uma filosofia, uma cultura e valores que contribuem para a formação humana.
Por meio da metodologia JAE (Judô Arte Educação), procuro ampliar esse olhar, apresentando o judô como esporte, expressão cultural e ferramenta educacional.
Mais do que divulgar a modalidade, esses encontros permitem que as pessoas experimentem, sintam e descubram o que o judô pode representar em suas vidas.
Recentemente, o cônsul geral do Japão participou da cerimônia de abertura da Copa Rio. Agora, o presidente da FJERJ, o sensei Leonardo Lara, se fez presente e prestigiou o Carioca Matsuri. Em sua opinião, de que maneira aproximações desta ordem podem gerar benefícios para a comunidade do Judô Rio?
Acredito que aproximações como essas são fundamentais para o fortalecimento do judô no Rio de Janeiro, pois ampliam o diálogo entre as instituições esportivas, a representação diplomática japonesa e os movimentos culturais.
A presença do Cônsul-Geral do Japão em um evento esportivo e do presidente da FJERJ em um festival de cultura japonesa demonstra que o judô pode ser uma importante ponte entre o esporte, a cultura e a sociedade.
Essas aproximações abrem caminhos para novas parcerias, intercâmbios culturais, valorização da história e das tradições do judô, além de ampliar sua visibilidade e alcançar novos públicos.
Acredito que precisamos cada vez mais ocupar esses espaços e construir conexões. Afinal, o judô tem suas raízes no Japão, mas seus valores e sua contribuição para a sociedade são universais.
Quando instituições esportivas, culturais e diplomáticas se aproximam, toda a comunidade do Judô Rio ganha novas oportunidades de crescimento, reconhecimento e desenvolvimento.
