Comunidade do Judô Rio celebra 4 novos kodansha

Claudio Rodrigues, Daniel Lage, José Roberto Solera e Rodrigo Mulatinho receberam o 6º Dan em cerimônia no último domingo; presidente da Federação, Leonardo Lara foi promovido a 7º Dan
* por Diano Albernaz Massarani

Sem dúvidas se tornar um kodansha é um momento especial na vida de qualquer judoca. Mais do que isso, a formação de um novo kodansha enriquece toda a coletividade na qual ele se encontra inserido. É neste sentido que a comunidade do Judô Rio se tornou ainda mais rica no último domingo, 17 de agosto, quando 4 judocas de longa trajetória no Estado do Rio de Janeiro chegaram ao 6º Dan, trocaram a faixa preta pela vermelha e branca e se tornaram kodansha: Claudio Rodrigues, Daniel Lage, José Roberto Solera e Rodrigo Mulatinho. A cerimônia ocorreu no Ginásio da Comissão de Desportos da Aeronáutica, após a realização do 4º módulo para a outorga de faixas de 2025, e também marcou a promoção de Leonardo Lara, presidente da FJERJ, ao 7º Dan. As próximas linhas trazem uma pequena biografia e os depoimentos dos 4 novos kodansha da comunidade do Judô Rio.

Claudio Rodrigues

Presença assídua nos eventos da FJERJ ao longo deste século, Claudio Rodrigues começou a integrar o Departamento Técnico da Federação em 2001, chegou ao cargo de Coordenador de Oficiais Técnicos em 2008 e desde 2017 passou a exercer a função de Gestor de Eventos. Na verdade, sua atuação vai além dos eventos esportivos promovidos pela FJERJ, tendo atuado em praticamente todas as competições internacionais da modalidade sob chancela da FIJ realizadas no Brasil nos anos 2000, incluindo Jogos Olímpicos e Paralímpicos, Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos e edições de Campeonato Mundial e Grand Slam, entre outros. O início desta vida dedicada ao Judô se deu na década de 1970, na extinta Academia Corpo e Companhia, em Nova Iguaçu, com o sensei Luiz Araújo de Lima, seu professor na conquista da faixa preta, em 1996, e durante toda a fase em que esteve sobre os tatames.

“Minha trajetória começou como a de quase todos os praticantes de Judô, até que em 2001 eu entrei para o quadro de oficiais de área da Federação. O Judô permite que o judoca trabalhe em várias frentes e isso é reconhecido, tanto que o currículo que precisamos apresentar para nos tornar kodansha contempla as mais diferentes contribuições que se pode dar ao Judô. Estou bastante honrado em receber uma faixa que sempre pareceu tão distante. Quando eu comecei a participar dos módulos da Federação e via os kodansha, eles eram uma esperança de uma realização para mim, mas de uma realização distante. Com o passar dos anos fui sentido que era possível me tornar um kodansha e hoje, ao conseguir, o sentimento é de gratidão e honra”.

Daniel Lage

Daniel Lage começou sua jornada no Judô no final da década de 1970, aos 6 anos de idade, com o sensei Wilson Ribas, na Academia Ribas, em Nova Friburgo. A faixa preta veio na segunda metade dos anos 1990, já filiado ao Grajaú Tênis Clube e sob a tutela do sensei Jorge Kawata. Atualmente, Daniel Lage participa ativamente da difusão do Judô pela cidade de Nova Friburgo, seja através de sua própria academia, a Power Full, seja trabalhando com escolas e o Nova Friburgo Country Club na iniciação e direcionamento de novos judocas. Junto à FJERJ, Daniel Lage ocupa a função de Coordenador do Núcleo da Região Serras Norte há mais de uma década.

“Ninguém entra no Judô pensando em ser faixa amarela, laranja ou verde. A gente entra no Judô sonhando em ser faixa preta. Mas quando o judoca se torna faixa preta ele entende que aquele é só o uma parte do caminho. Como meu mestre Kawata vivia no Rio de Janeiro e eu, em Nova Friburgo, ele sempre me motivou a chegar ao 3º Dan, para eu poder ter a minha autonomia e cuidar dos meus afazeres. Depois, sempre tive a companhia do amigo Antonio Sá para seguir o caminho das graduações, e hoje nos tornamos kodansha juntos. Como kodansha, sinto que tenho o dever ainda maior de ser um espelho e me sinto mais motivado e empolgado para seguir minha caminhada e contribuir para mais pessoas realizarem os seus sonhos”.

José Roberto Solera

Nascido em Penápolis, interior de São Paulo, José Roberto Solera chegou ao Rio de Janeiro em 1976, quando tinha 22 anos e sem nunca ter vestido um judogi. Subiu aos tatames pela primeira vez já adulto, para acompanhar o filho, que sofria crises de bronquite e foi aconselhado pelo médico a praticar Judô. Isso foi em 1983, em Angra dos Reis, na então chamada Academia Oriente (atualmente Judô Clube Messias), sob ensinamentos do sensei Manoel Messias da Silva. José Roberto Solera se tornou faixa preta oito anos depois, em 1991, e não tardou para começar a atuar em outras duas frentes no Judô: como árbitro, tornando-se posteriormente da categoria Internacional, e como professor, tendo fundado a própria agremiação, o Judô Clube Solera, que hoje possui quatro módulos fundamentais para o fortalecimento do Judô na região sul do Estado.

“Eu entrei no Judô para ajudar um filho. Não tinha nem pretensão de me tornar um faixa preta. Mas o Judô é tão envolvente, tão inebriante, que você vai se incorporando. Ainda mais porque tenho a característica de sempre buscar mais conhecimento. Recebi muito incentivo dos meus colegas para chegar até kodansha, o que me desperta uma sensação muito agradável, sublime. E é igualmente gratificante poder mostrar a minha história para os meus discípulos, poder me tornar uma referência”.

Rodrigo Mulatinho

O caminho inicial de Rodrigo Mulatinho no Judô foi trilhado no Judô Clube Oswaldo Simões, que o recebeu com 6 anos de idade e o formou faixa marrom. Situações pessoais o levaram a seguir seu caminho passando por diversas agremiações emblemáticas do Rio de Janeiro, tendo alcançado a faixa preta no Colégio Sion, o 2º Dan no Clube de Regatas do Flamengo e o 3º Dan na Academia Projeção. Foi então que Rodrigo Mulatinho fundou a própria agremiação, a Equipe Rio Judô, com sede em Copa Copacabana, por onde continuou seu caminho rumo a kodansha, atuando também na formação de novos judocas em escolas e academias. Além das funções como professor, Rodrigo Mulatinho foi treinador de seleções do Rio de Janeiro em 3 oportunidades, participou do programa de Estrategismo da CBJ em competições internacionais e integra o Conselho Fiscal da FJERJ há cerca de uma década e a Comissão de Graus desde 2022.

“O sentimento de me tornar kodansha é maravilhoso, muito semelhante ao de conquistar a faixa preta. Chegar a kodansha significa trocar a cor da faixa depois de muito tempo, de preta para vermelha e branca, e isso tem uma representação muito grande. A ficha até demora para cair. É uma realização pessoal bastante satisfatória, principalmente da forma como foi realizada a cerimônia de graduação pela Federação, que foi muito emocionante e gratificante. Ao mesmo tempo, se tornar kodansha faz do judoca um exemplo a ser seguido, trazendo responsabilidades e exigindo uma postura diferenciada perante à sociedade. É como se fosse uma renovação de votos das suas responsabilidades e postura”.

Crédito da imagem de capa: Eduardo Amaral

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